segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Deus, Uma Biografia

Publicado em 1995 pelo Jornalista e Doutor em Línguas do Oriente Próximo, Jack Miles, Deus – Uma Biografia é uma erudita e original discussão a respeito de Deus.O autor parte da seguinte constatação: quer acreditemos ou não na existência real do Deus Judeo- Cristão, o fato indiscutível é que ele é o personagem central do maior best-seller de todos os tempos: a Bíblia. Nessa perspectiva o autor se propõe não a uma discussão sobre a existência ou não de Deus, mas sim a uma análise de como esse personagem se apresenta na Bíblia. E aqui temos de fazer algumas especificações: 1) Em que pese nos dois testamentos a figura de Deus aparecer, é no antigo testamento que ele se faz mais presente, portanto é aí que o autor vai centrar sua exposição; 2) A Bíblia Cristã, tal como editada, organiza toda a sua apresentação para anunciar o advento de Cristo; portanto, é no Tanach judeu que vai concentrar sua discussão. Não que os livros sejam distintos, apenas sua organização cronológica e seu comprometimento teleológico, o Tanach judeu não tem em Cristo seu telos, e portanto o Deus que ali aparece não é comprometido com esse fim.Enquanto análise de um personagem, Miles trata 'Deus' como trataria qualquer outro personagem de qualquer outro livro. Nessa perspectiva começa sua discussão sobre o aparecimento de Deus no livro do Gêneses Em que pese dois relatos distintos, um mais elaborado e outro menos elaborado, o Deus que surge aí é, em primeiro lugar, um personagem solitário: não existem outros deuses com os quais possa dialogar e nenhuma realidade na qual possa se inserir já que, supostamente, é ele o autor de toda a realidade. Cria pois todas as coisas enquanto distintas de sí, e cria o homem, enquanto espelho de si, imagem e semelhança nos diz o livro sagrado. Tanto as coisas, quanto o homem, são primeiro criadas e depois constatadas como sendo boas. Deus, sem qualquer parâmetro anterior de comparação, precisa primeiro do objeto criado para só depois emitir sua avaliação. Nesse sentido, nos Miles, Deus é alguém que aprende com sua criação; as próprias noções morais ainda não existem para o personagem, já que o único preceito que dá ao homem é não comer dos frutos da árvore do conhecimento, porque não? Por que ali não existe nada, já que Deus ainda não aprendeu. Mesmo quando Caim mata Abel, Deus só descobre ser isso errado após o ato dos mortais e não antes, já que nunca o proibiu, o mesmo se dá com o episódio da Torre de Babel, da destruição de Sodoma e Gomorra, etc...Para Miles, em todos os episódios do Tanach o que podemos observar é a evolução da consciência de Deus a respeito de si mesmo, descobre noções de certo e errado ao se deparar com condutas humanas e desaprová-las. Descobre, por exemplo, sua imensa vaidade no livro de Jó, ao submeter um bom homem a infindáveis tormentos apenas por ter sido provocado pelo seu adversário – Satanás. E o curioso é que se irrita ao seu questionado por Jó sobre suas razões, ou seja, Deus se descobre vaidoso e não gosta disso...Todo o livro de Miles é assim um fascinante desvelamento do mais famoso personagem da literatura ocidental em sua jornada de auto-conhecimento que talvez possa ser sintetiza da seguinte maneira: Deus, tal como aparece no Tanach, nada mais é do que uma criança grande, dotada de poder absoluto, que criou e realidade e o homem para descobrir a si mesmo e que, no final da jornada, não gosta nenhum pouco do que descobre.

Para Entender Hitler

A banalidade do mal. O termo se popularizou após a Segunda Guerra, com o julgamento dos principais oficiais nazistas e o início das discussões sobre um dos mais impressionantes vilões da história. O destino de Hitler - muitos acreditavam que o führer não morrera - e, principalmente, as possíveis origens para sua maldade assombraram o mundo por muito tempo depois da vitória dos aliados. Peças, livros, filmes e tratados foram escritos sobre o assunto. Ainda hoje o ditador é tema de diversos estudos psicológicos. Em PARA ENTENDER HITLER, o jornalista norte-americano Ron Rosenbaum lança nova luz sobre a dinâmica de sua maldade, numa monumental bibliografia em torno do líder do Terceiro Reich, compondo uma área específica da história contemporânea. Rosenbaum analisa, metodicamente, os prós e contras de todas as principais hipóteses sobre a personalidade de Hitler. PARA ENTENDER HITLER passeia por todos os rumores - incluindo o boato sobre suas origens judias - e extrai as verdades psicológicas de cada um deles. Como resultado, diferentes Hitlers emergem das páginas de Rosenbaum: o gângster brutal, o perverso inominável, o amante, o artista modernista, o apreciador de música. O retrato que o autor esboça dos principais analistas de Hitler é, no entanto, tão ou mais interessante. PARA ENTENDER HITLER mostra as tentativas dos jornalistas do Munich Post de revelar as intenções obscenas de Hitler ainda no início dos anos 1920. Traz, ainda, as crises de consciência de David Irving e do escritor George Steiner, a princípio apologistas do ditador. Reproduz as tentativas de Claude Lanzmann, diretor de Shoah, de analisar Hitler e o Holocausto. PARA ENTENDER HITLER, considerado pelo New York Times como "notável", disseca vários campos de análise e suas explicações sobre as causas do mal em Hitler. Constrói, assim, uma teia onde contrapõe campos de pesquisa - psicanalítica, histórica, cultural, política -, propiciando novas reflexões. Ron Rosenbaum foi criado em Long Island, Nova York e formou-se em literatura inglesa em Yale. Publicou, entre outras obras, Travels with Dr. Death e Manhattan Passions. Escreve para a New York Times Magazine e The New York Observer, e é professor de jornalismo na Universidade de Columbia. "Fascinante (...) uma obra de história cultural tão irresistível quanto ponderada." New York Times "Crítica cultural apresentada como narrativa histórica envolvente (...) com palavras e idéias que surpreendem." Washington Post "Intrigante, polêmico e inteligente." The Guardian